Então que hoje, enquanto ia pro Shopping
fazer um favor pra minha mãe leia-se comprar um kit no Boticário, encontrei vários pseudo estudantes, todos
esperando alguém vir buscá-los ou aguardando o sinal para entrar.
Fiquei pensando se, quando eu tinha lá meus
12, 13 anos, eu também usava TANTA maquiagem quanto as meninas que eu vi e
que certamente tinham essa idade estavam usando. Olhos mega-ultra-maxi
marcados, eram quase clones do Kiss – exceto pela ausência da base branca no
rosto. Cara, o pior de tudo, sabe o que é? NÃO, eu não usava TANTA maquiagem
assim!
E a Mônica aqui, tá light! |
Nos meus idos e saudosos tempos de colégio,
quem usava maquiagem marcada se encaixava em duas categorias: 1) meninas do 2º
grau atual ensino médio; 2) galera “do rock”. E, olha, nem todo mundo de uma dessas categorias usava,
necessariamente, maquiagem... muito menos, essa maquiagem pesada sou
periguetchi, sim, e daí? que eu vejo as meninas usando. Cara, tantas revistas
Capricho Style por aí, e a meninada ainda não aprendeu que MUITA MAQUIAGEM
ENVELHECE?
Não que o fato de adiar o máximo possível o
uso de maquiagem tenha mantido em mim uma cútis de dezessete primaveras quem
me dera.
Mas, com certeza, ajudou MUITO para que alguns colegas acreditem que tenho
menos idade do que na real tenho (33 anos, pra quem tem dúvidas).
Lógico que não vou aqui levantar bandeira “não à maquiagem precoce; deixem as crianças
serem crianças; infância maquiada é infância roubada” alguém
que presenteia a própria sobrinha de 2 meses com esmalte infantil nem tem moral
pra isso, né.
Nem ia falar disso; ia mais é dizer que eu sinto muita saudade do tempo de colégio
e de como a gente era inocente naquele tempo e se revoltava por pouca coisa e
queria que as nossas vidas fossem um eterno filme de Sessão da Tarde.
O fato é que eu vi num blog de HUMOR,
um vídeo que me deixou meio... sei lá... alterada? Preocupada? Revoltada? Um
pouco disso tudo, talvez. Um pai, nos Estados Unidos, consertou o notebook da
filha, e entrou no mural dela do facebook. Lá, viu um depoimento “revoltadchenho”,
típico de adolescentes de 16 anos, nesses surtos que eu certamente também já
tive.
A publicação que a menina fez – e que o pai
leu, no vídeo – me deixou completamente revoltada com ela mesmo
que eu já tenha feito isso, na privacidade dos meus diários escritos à mão e trancados
com chave.
Ela reclamava, em síntese, das tarefas que os pais lhe passavam para fazer,
todos os dias; e de como ela era explorada por eles, e como ela não iria mais
aceitar isso, blábláblá whyscas sache.
Com 16 anos, eu também me sentia injustiçada
pelos meus pais; achava que os pais de todo mundo eram legais – menos os meus;
achava que nada que eles faziam estava certo, nem suficiente; e também pensava
que eles diziam não pra fazer a minha vida um inferno. CONTRADITORIAMENTE, eu
achava o máximo quando apresentava meus pais para os meus amigos, e eles adoraaaaaaavam
os meus pais. Achava meio estranho meus amigos terem vergonha de apresentar os
próprios pais, e queriam tanto conhecer os meus.
Mas embora eu reclamasse para o meu mui
seleto grupo de amigos de ATITUDES dos meus pais, e de como eles me faziam ter
horário para chegar em casa e do quanto isso era injusto... ah, esses adolescentes... nunca, em
tempo algum, falei deles com desrespeito. Nunca disse que eles eram idiotas,
retardados, preguiçosos, ou coisa que o valha mamãe e papai
ensinaram que moças educadas não falam palavrão, e eu evito falar palavrão (e
palavrinhas) até hoje.
O pai em questão, depois de ARRUMAR o laptop
da filha, e depois de ler o que ela escreveu em seu mural do Facebook, resolveu
dar o exemplo: filmou a si próprio lendo a publicação, explicando quais eram as
tarefas “pesadas” que ela tinha que
executar diariamente (arrumar a própria cama, retirar a louça da lavadora,
lavar a própria roupa, etc) e... DEU NOVE TIROS NO LAPTOP DA FILHA!
Fico aqui pensando: se meus pais tivessem que
dar tiros em coisas por cada reclamação que eu já fiz na minha vida, no meu diário,
eu não teria mais um pano de bunda para cobrir minhas partes pudendas e
livrar os outros da visão do inferno que estão as minhas “curvas”. Cara, dou graças a
Deus porque meus pais SOMENTE erguiam a voz comigo e, às vezes, quando a gente
era criança, davam umas palmadas ou uma surra ocasional.
Se eu condeno a atitude do pai? Em partes.
Ele foi exagerado, descarregar a raiva no coitadinho do laptop foi demás – e, com certeza, não resolveu
porcaria nenhuma. Consigo entender a revolta dele, porque às vezes EU me
revolto na rua quando vejo os pequenos clonezinhos do Kiss indo para a aula e
falando, cheias de razão “ah, mãe, me
deixa!”.
A menina estava errada? Sei lá. Não consegui
ver a publicação dela – aliás, se alguém aí, rato de Facebook souber onde está,
me avisa, PURFA! Mas que esse negócio de ficar reclamando PRO MUNDO
(literalmente – Facebook não é diário trancado e escondido embaixo do colchão)
que o pai é isso, é aquilo, é aquilo outro, SEM QUE ELES SEJAM... rebeldia
adolescente tem que se resumir a se trancar no quarto quando ouve um não, e
ouvir Restart até secarem as lágrimas.
Pai e Mãe, adoro vcs. Amo vcs. Obrigada por não
terem me deixado fazer TUDO que eu quis enquanto era criança e adolescente.
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