14 May 2014

PQP!

Então que eu sei muito bem que faz tempo q não venho aqui, e normalmente qdo venho é pra reclamar. Estou em débito com meus amigos-leitores (ou leitores-amigos, se preferirem). Mas o caso é que hoje, não teve como. O negócio tá engasgado na garganta.

Como eu já disse, estou em outra taba, e isso desde o ano passado. Devo dizer que o milho oferecido não é tão bom quanto eu esperava, mas né, ao invés de ouvir minha consciência e recusar gentilmente, aceitei. My bad. Promessa feita pelo cacique-mor, quando entrei: em três meses, seria revista a quantidade de milho. Não sei como ainda acredito nisso, juro.

Teve todo aquele estresse com curumim querendo ser índio, e em razão de pequenas coisinhas (tipo pedir pra índia que é "a cara da taba" fazer algo, e receber um "pode fazer, pq eu estou com um monte de coisa aqui?"), foram acumulando e não quero mais esta taba. Aceitei pq achei que ia ser temporário, e é sempre bom ter milho pra negociar as tangas de luxo e as pinturas de guerra, concordam? O fato é que, depois de 3 meses, a quantidade de milho não foi revista, mesmo quando lembrei do acordo. Depois de um ano, lembrei o cacique-mor do tempo que tinha entrado na taba, e ele vira e pergunta se desejo um descanso da guerra. Na mesma hora, virei e disse: "não, eu quero um aumento na quantidade de milho".

Depois desse pedido, sério, passei a ficar mais preocupada com a possibilidade de ser afastada da taba, sem direito a elástico na tanga. Simplesmente pq acredito que mereço mais milho. Afinal, já são 10 anos na lida! 1 ano só nesta taba - me adaptando às táticas de guerra da aldeia, que, aliás, sempre acha que "posso melhorar". Minha quantidade de milho não melhora, mas né, eu tenho que.

Pior que voltar às tabas da cidade grande está difícil. Cada vez que vou fazer algo lá, me lembro pq era tão bom trabalhar na cidade. Eu podia reclamar em casa, com o Fá, com alguns amigos, mas lá eu me sentia VIVA! E recebia a mesma quantidade de milho que recebo hoje! Isso já tem 3 anos...

Hoje, então, SURPRISE!!! Cacique-mor me manda um e-mail sb INTELIGÊNCIA EMOCIONAL. Na verdade, eu sei que a intenção dele e de cacica é que eu abaixe a cabeça, não reclame de nada (nem da taba, nem de casa), e venha pra cá na maior alegria. Visitante marcou pra vir meia hora antes do almoço? Sorriso na cara! Visitante marcou pra vir QUINZE MINUTOS antes da hora da fuga da taba? Sorriso na cara! Precisou ficar na taba até mais tarde pq cacique-mor sumiu o dia inteiro e vc precisava discutir algo com ele NAQUELE DIA, por conta de prazo vencendo? Sorriso na cara! Problemas pessoais incomodando e te deixando de mau-humor? Sorriso na cara!

Sei que alguns de vcs vão falar que isso é profissionalismo, talz, exigir que o índio esteja sempre bem pros seus visitantes e companheiros de taba. E eu tb concordo. Mas daí a exigir (ainda que delicadamente, claro) uma postura muito diferente daquela de qdo vc passou a integrar a taba... Machuca. E, pior: atrelar a sua quantidade de milho a isso, exclusivamente, sem sequer analisar seu comportamento nas guerras que vem enfrentando nesse período, é no mínimo, frustrante.

Sim, eu quero sair desta taba e voltar pra cidade grande, e estou procurando por onde. Só não sei quando isso vai acontecer...

UPDATE:

Falei também que a minha sala mais parece um depósito? Que por causa disso pessoas entram e saem e mexem nas coisas nas horas que querem e bem entendem? Que preciso de um MOTIVO para deixar a porta fechada - caso contrário, preciso deixá-la aberta? Que só na minha sala está a impressora/máquina de xerox/escanner que é utilizada o dia inteiro e que todo mundo entra e sai por causa disso? E que o fax TAMBÉM está na minha sala, mas que eu não consigo receber ligações transferidas pq o aparelho é louco e só recebe ligações quando quer, o que me "motiva" a sair da minha sala quando preciso atender um cliente?

2 comments:

Ge Bolognani said...

PQP... realmente não sinto mais falta de taba, só do milho. Merda de vida de índio!

Cristiano said...

Acalmou depois do desabafo?