26 August 2005

Falando de futebol - pela ótica feminina

Não estou aqui pra falar que não entendo lhufas das regras de futebol, e nem tampouco pra explicar porque o fato do Borges não ter sido vendido é tão importante para o ataque paranista neste momento decisivo do campeonato mais competitivo do mundo.
Tá, eu não entendo mesmo muitas das regras de futebol. Mas curto o espetáculo. Gosto de ir ao estádio, ver aqueles 22 homens se matando por uma bola, cada qual mais empenhado em sabe-se lá o que (fazer gol, ser artilheiro, ser o goleiro menos vazado, ser o melhor jogador em campo, ajudar o time, fazer moral com a torcida, tentar ir bem na partida para ir jogar no exterior). Gosto de ver que o cara ao lado está praticamente dando o sangue pra apoiar o time - se pudesse, entrava em campo pra fazer isso. Gosto de ver as cores do meu time, as bandeiras, os hinos, a euforia tomando conta da arquibancada. Gosto do CONJUNTO futebol, não só do futebol em si.
Mas não é isso que me afronta. Não é o fato de muita gente ver o futebol como negócio, onde os jogadores e seus passes maravilhosos estão num mercado. É o fato de mais ninguém se indignar com quem só vê o futebol dessa maneira.
Não vou negar que fiquei feliz quando soube que o Borges (jogador do Paraná Clube) não ia mais pra Espanha. Não vou negar que pensei no pior tipo de vingança que um técnico de futebol poderia adotar nesse caso (se ele fosse louco varrido e despeitado, óbvio): deixar o Borges no banco, só pra ele ver o que é bom pra tosse. Mas não vou negar, principalmente, a raiva que me deu, durante toda a semana, em saber que quando o meu time está escalando a montanha que pode, sim, levá-lo a um título tão nobre, tão suado, tão sofrido e tão reconhecido como o de Campeão Brasileiro... a diretoria vende o jogador. Vende a alma dos torcedores. Vende a esperança de tantos tricolores que, como eu, esperam há um bom tempo para comemorar (e já estamos comemorando, notem bem!) um título, um reconhecimento nacional.
E também me afronta a postura de certos jornalistas. Ou que se dizem jornalistas. Ou que pensam que são jornalistas. Principalmente os do eixo Rio-São Paulo.
Não é nada pessoal contra os referidos estados, juro. Mas sempre que vejo um programa esportivo que vem de lá, é um tal de tentar a todo custo espezinhar, humilhar, depreciar, diminuir a glória e a garra dos times (note-se: não dos jogadores) de qualquer outro estado... Como se não fôssemos merecedores de sonhar com o título. Como se não pudéssemos sonhar também. Como se não fosse aceitável que qualquer outro time, que não o desse eixo, fosse bom o suficiente para disputar uma final de campeonato e... vencer.
Por favor, se vc, como eu, AMA esse espetáculo chamado FUTEBOL, com todas as suas cores e dores (mas esse é um outro assunto, para um outro tópico, em uma outra data), faça como eu: fique indignado com o NEGÓCIO futebol que nos impõem - eu sei, eu sei, o business faz parte do negócio, mas nem por isso eles têm o direito de vender a "nossa" alma por conta disso. Faça o que estiver ao seu alcance pra pararmos, enquanto é tempo, com o NEGÓCIO futebol. Eu estou aqui, divulgando as minhas idéias. Vc, aí, pode repassá-las e dizer que são suas. Ou pode tb, ir ao estádio e aplaudir os jogadores. Chamá-los de mercenários quando realmente o forem (e eu acho, sim, que Renaldo e Ilan foram mercenários). Reclamar da diretoria quando se fizer necessário. E aplaudi-la, quando houver mérito. O que não é mais possível é essa postura passiva diante do que estão fazendo com os times, os jogadores, os torcedores.
Estou tentando fazer a minha parte...

1 comment:

Will said...

Sangue tricolor, alma justa e sem dor...